6 de outubro de 2009

Mudei de endereço,
agora estou aqui:

www.versosdeluz.blogspot.com

5 de agosto de 2009

FIM*


Lá vai o meu último verso singelo beijar-te os olhos...


bons instantes...*

e o peixe (Tainha) volta ao mar...*

(Deixou aqui todas essas palavras
para quem as quiser ler.)


FIM*


OS MEUS VERSOS


Rasga esses versos que te fiz, Amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!...

Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente...

Rasga os meus versos...Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!...

Florbela Espanca
(1894-1930)


UMA PALAVRA


Meu canto busca sempre uma palavra
que seja companheira na canção
da minha voz que canta e se declara:
viver a vida inteira de emoção.

Uma palavra só não se prepara
puxando outra palavra sem razão
na vida que se encanta e se dispara
no claro tiro cego de paixão.

Viver a arte que procura ver
os lábios desbotados da linguagem
deixando a claridade me envolver

no sopro que me leva na paisagem
amaciando a pena ao escrever
teu nome, meu amor, minha viagem

Anibal Beça

3 de agosto de 2009

Quase Poesia com Café*

Precisava todos os dias de um café.
Daquele aroma pela manhã tão fatal.
No devido tempo uma sinfonia de sal.
Enrolaria a saudade e deixaria mais até...

Depois resolvo, deixa como está!
A glória é mesmo hoje, deixa estar
Voltamos ao café, é momento de amar...
Ausente e que seja poente enquanto já!

Poesia num simples café é apreciar.
Infalível, tudo o mais que existe
nesse ilustre instante mínimo, amar...

No futuro transbordará saudade
Não é preciso dizer, mas somos por demais
apegados a um fino traço distante.


*

SONETO ANTIGO


"Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.

Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.

Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento."

Cecília Meireles

Ah! Os Relógios


Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

Mário Quintana

31 de julho de 2009

Shiuuuu*

Deixar fluir é tarefa árdua, procuro todo tempo travar-me um pouco mais para as coisas do coração. Finjo as vezes que não me abalo com nada. Não sei se tenho sucesso nisso, porque eu luto bravamente para ir contra essa vontade de me esconder, porque parece que dessa forma não sinto nada e não sentindo nada me desespero. Eu quero mesmo é fluir, porque o tempo todo pareço travar e ficar parada no tempo, como se não houvesse novidade alguma na vida e que desperdicio. Fecho meus olhos para tudo, ou quase tudo que me assusta.

Eu tenho mesmo muito medo do amor...*

29 de julho de 2009

Vento Verso


Venta em qualquer poema.
Vento no poema.

Corre brisa pelas beiradas das palavras.
Mudando de assunto, dormiria um sonho lento.
Nada a declarar! Mais cinco minutinhos, deixa-me estar.
Agora repito tudo de novo e mais uma vez não entenda.
É melhor assim, que cada um viva a sua maneira.
Encontros por vezes desencontrados, crimes de ternura.
Nada a dizer, está tão frio e a chuva
numa melodia de gotas me conforta.
Assim o esquecer vai por água abaixo,
versos de chuva ou vento
é como te lembro...


*

27 de julho de 2009

A moça dos olhos tristes

A Moça dos olhos tristes olhava fixamente para um rapaz do outro lado da Avenida, mal sabia a respeito da sua vida, mas inventava. Seu olhar se dirigia genuinamente aos sorrisos, ela parecia feliz em ver risos e ria junto com eles. Seus olhos eram tristes, talvez precisasse de ver atentamente alguns sorrisos para aprender a sorrir. Era um prazer que tinha olhar para as pessoas e ver que as vezes elas lhe surpreendiam, de repente seus lábios abriam uma pequena curva, tinha momentos de alegrias breves. Era doce quando ao virar da esquina numa lanchonete sentava para tomar uma xícara de cafe e muito discretamente apreciava um a um os sorrisos que passavam naquele instante. Existiam dias que passavam desapercebidos, nenhum sorriso e ela muito triste contava as horas para o final daquela crise sem risos. E de repente alguem passa e abria um sorriso breve, leve, solto que tudo muda. Gostava muito disso, desse instante que o mundo todo parece girar mais depressa junto com seus batimentos.

(abria um sorriso
entre a multidão
e já esquecia
de todas as mágoas,
lembranças perdidas,
atalho para o coração
se encontrar
totalmente perdido)

*

23 de julho de 2009

Pular

(de paraquedas)



20 de julho de 2009

*



Pelos caminhos de inexistentes beijos...

deletei minhas memórias inventadas num sopro de luz...

18 de julho de 2009

Contraste Imperfeito

A melancolia é quem sabe saudade, tempestade guardada no peito prestes a desabar.
Tristeza é fonte de vida desassossego do tempo que não pode parar,
mas que cessa em lágrimas de perdas.
A verdade é tudo aquilo que existe e da ambigüidade nasce a esperança.
Tal escuridão que faz claridade.
Noite escura que torna visível o brilho das estrelas.


16 de julho de 2009

Dissipar amor

Dissipar amor é destino...
Vida breve, parte inteira de mim,
trovejaria sempre contigo.
Oportuno desgaste.
Emergir das brumas a claridade.
Esquecer-me para sempre.
Dissipar o sonho,
se arraigar a terra docemente.
Semente de constantes vendavais,
finalmente cessa e aquieta num canto manso
para crescer o coração

Dissipar amor é destino...


*

15 de julho de 2009

Musica

12 de julho de 2009

Tornar-te Sublime*


Inferir-te na pele e esquecer o teu rosto,
desvanecer teus olhos verdes e teu sorriso abrangente
em notas.
Viver-te apenas no som, em trovejares sonoros.
Nos batimentos cardíacos o ritmo se estabelece
a partir de tudo que tocaria a saudade
se não fosse a tua presença apenas imaginária.
Pode-se dizer que enlouqueci quase completamente
e tudo bem, porque adoro...
Esperança que cresce a cada nota, a cada encontro.


Gota d’água que caiu do céu num dia
quase de luz, quase feliz, quase real.
Trouxera esse azul sonoro para mais de ti.
E assim sucede a nossa história,
sem pesares, sem decepções, sem esperas,
mas enfim com muita Música...

(o sublime Entre o som, entre tudo e entre nada,
diria o Tudo o que me restou
e mesmo assim agradecia a ti para sempre)



*

11 de julho de 2009

Incertezas Sonoras


Autêntico,
nitidez sonora notável
som miúdo, som interno
uma onda sonora incerta
seguida pela pequena luz
ao recordar musicalmente
um tímido sonoro
ao resguardar o futuro
no silêncio.

Vazio indecifrável!


*

7 de julho de 2009

Notas de Existir



o instrumento reflete o Ser
ser a profunda responsabilidade da existência
tão natural ao que é passível de fazer sentido
que simplesmente Vibra

notas ecoam e pássaros cantam
assim se perde no mergulho do Som
a nota vazia que a natureza
enche de Intimidade

o canto da Brisa nas folhas
que vira uma música
prestes a ser tocada

e não esquecer a Dança
das folhas com o vento
do mundo com ele mesmo
e nós lá ainda inseridos
nisso tudo que se movimenta
rapidamente...



*

2 de julho de 2009

Tocar*



A Nota
ao vibrar desapercebida
Toca o coração

Dançam as Ondas sonoras no peito
ao de leve toca um sussurro breve

O vazio (oco) encosta quase
no lugar dos batimentos cardíacos
é dessa forma que ali,
em interação, batem as ondas
como se fosse um mar bravio,
rebelde, porém autêntico
tranqüilo repercute Vida
todo Ser que ali presente
é presenteado.


*

We learn in the Retreating
How vast an one
Was recently among us –
A Perished Sun

Endear in the departure
How doubly more
Than all the Golden presence
It was – before –

(Emily Dickinson)




Na partida aprendemos
Como era enorme
Quem entre nós estava
Um Extinto Sol

Realça ao retirar-se
Como se em dobro
De todo a Áurea Presença
Que hoje – se foi –

(trad. José Lira)


*

29 de junho de 2009

Poema Imperfeito


Quando tocar o céu é enternecer
os sentidos com um beijo sutilmente
pousado num toque ao transparecer
toda a extensão dum oceano de repente.

Assim a vida derrama um poente.
Luz que mergulha no mar ao entardecer.
Um som, esse breve vestígio presente.
Dançam as ondas no mar ao lhe rever.

Noite que lentamente nos desperta.
Ao perfume fino da madrugada
dedico qualquer sinfonia incerta.

Lar azul gentil corre na estrada,
onde jaz nossa única descoberta.
Notas ecoam até nossa morada.



*

Fotografia de Grant Dixon

Musique

27 de junho de 2009

Luz em Ti*


Ficava ainda um verso e a ventania.
E então foi-se a folha, o ramo, a luz.
Orvalho que se estende pela cidade.
Faz baixinho, terno...
bem na revolta dos temporais.
Lembrança que é nascente.
Luz que é chama.
Faz o nosso olhar...
brilhar, brilhar, brilhar.

Na esquina dos temporais
a saudade bate quase a,
até o canto do nosso olhar.

Sabe que vejo pores do sol
na luz do teu olhar.
E não só como também
eu me vejo lá...
Nos teus olhos a brilhar.
Luz em ti meu bem.
Luz em ti.

E o escuro se fez em mim
distante de ti...


*


"On my volcano grows the Grass
A meditative spot –
An acre for a Bird to choose
Would be the Fire General thought –

How red the Fire rocks below
How insecure the sod
Did I disclose would populate
With awe my solitude."

(Emily Dickinson)


"No meu vulcão reserva a Relva
Um tranqüilo rincão –
O Acre que um Pássaro queria
Decerto pensarão –

Tão rubra a Brasa lá debaixo
Tão inseguro o chão
Se eu me mostrar o medo invade
A minha solidão."

(trad. José Lira)



*

25 de junho de 2009

Sem*

Idéias, sem idéias, esvaziada de sensações, multiplicidades de confusões. Uma casa, um lar no meio da imensidão do mar a naufragar. Sentimentos perdidos de mim, pessoas que moram em mim. Diferenciada de tudo e de nada. Misturada. Não sei quanto tempo terei perdido, nem sei encaixar meus pedaços, mas sinto-os livres de qualquer interpretação falhada. Prefiro, prefiro mais a minha alma perdida do que qualquer ilusão de um achado. Tesouro que me habita indecifrável, intocado, misterioso.

21 de junho de 2009

Musique

Espera*


É a vida uma constante solidão.
Vazio que se instaura num vislumbre.
E de repente ocorre uma enchente,
água que inunda com abundância
do que não se soube fugir do coração.

Transborda todo amor decadente
apesar de toda essa distância.
Jamais entenderias tanta paixão.
Notas de chuva a escutar um deslumbre.
A dança da lembrança evanescente.

Se agora dissesses da minha esperança,
que já não vejo nenhuma fartura.
Enquanto o tempo se desfaz na ternura
dessa doce espera que sempre alcança.



*

17 de junho de 2009

PAUSA


vou arrumar minha vida



*

16 de junho de 2009

Ainda é possível meu amor que o tempo pare e as lembranças cessem.
Não que eu queira, mas poderia. Há quem pense que escrevo alegrias,
enquanto tudo que escrevo dói nalgum canto.
Depois? Depois pode ser que a dor se instaure de outro modo.
E a tristeza, esta sempre permanece.

*

15 de junho de 2009

Versos de Ti*

O teu olhar a luzir é um encanto.
Um afago belo quase transcendente.
E quanto ao teu riso, abrangente.
Tu, essa saudade e mais um tanto.

Segredar versos aqui neste canto.
Azuis no teu olhar incandescente.
Chove toda uma chuva transparente.
Preciosidades por trás do manto.

Tempo de nuvens, ventos e algo no céu,
dias contigo nesse meu coração
e asteriscos a ti jogados ao léu.

Versos que suavemente tocam o chão
ao percorrer toda extensão do céu.
Ouvir a tranqüilidade dessa paixão.



*

14 de junho de 2009

Musique

Um Anoitecer

Na floresta as árvores dançam com a ventania.
Gestos de calmaria ondulam no ar como corrente.
Tocam sussurros adiados numa sinfonia.
E a brisa, nesse compasso, germina a semente.

Do pequeno grão que se deita à terra, nasce vida.
Potencial que nasce, cresce, desaparece.
E nessas idas e vindas, uma breve despedida.
Assim como é de repente que o dia anoitece.

O sol que vai aos poucos se pondo no horizonte.
E ao olhar o céu são as estrelas que começam a brilhar.
Admirar a paisagem depois de subir o monte.
Manto negro que todo dia nos ensina a amar.

Aqui ouço o canto sereno da natureza e só.
E ao contemplar o céu sinto que sou apenas pó.



*

12 de junho de 2009

Garoa Noturna


Como um raio de ventura
atinges o lume da cidade
e sucede a tempestade
nessa infinita brandura.

É no momento da loucura
que se esconde a verdade
e vem logo a nossa saudade
nasce um beijo com ternura.

Diz o instante um aviso
que cobre o céu de sutileza
nesse vasto olhar um sorriso.

Versos de chuva, leveza
é luz num inesperado viso
diante de silente beleza.


*

10 de junho de 2009

Musique

9 de junho de 2009

Madrugada


Prefiro a madrugada para escrever porque assim num sussurro leve, até sinto que me desprendo do mundo todo e as lembranças, esses presentes que guardei, parecem florir na madrugada enquanto ainda. E eu acordada de propósito, para falar baixinho, reflito, admiro, sonho. Isto é o mais próximo que posso chegar dessa leveza que em tudo satisfaz. Quem diria que a madrugada seria, além da insônia, um possível espaço de aconchego. E esse canto de saudade talvez fosse o suficiente para mais dessa minha tristeza.


** ** *** *** ****




6 de junho de 2009

Embriagar-se

Se a luz chega no quarto de mansinho e os dias parecem intermináveis, viver seria minha única opção cujo sabor desconhecia a pouco mais de um segundo e acabo sempre por perde-lo novamente. Hoje queria lhe falar do riso, desse milagre que tão facilmente toca nas faces dos outros, numa transparência de emoções e sentimentos. Porque um não tem nada de comparável com o outro, emoção é arraso avassalador que o coração, como um tambor bate sem parar, sentimento é mar e nuvem e vento que flui como uma onda de plenitude serena, aquele gesto que toca mansamente e vai nos levando para outros lugares. O riso pode ser de muitos tons, não estou aqui para definir isso, mas para tentar produzir um acontecimento para abrir nossos olhos ao novo, tanto que nos rodeia e que passa tão desapercebido e desperdiçado. Para também abrir os meus olhos cansados. Sabe, queria contar absurdos e saber que são verdades, mas o estranho é não ter nada e ser algo mais do que uma complexidade pelo avesso. O absurdo é o ausente que nos toca e a verdade é essa plenitude que desconheço. Tenho nada e para que ter algo que não me pertença por inteiro, não quero nada, mas queria se não fosse tão jovem a minha vontade. Despedacei os sentires e agora me restei fragmentada de mim, em algum canto por aí, no meio do mundo que não me é, mas pra quê tudo isso se não entendo nada e se também não entendes muito. Se é mesmo a vida para confundir que seja eterna a minha dúvida. E que a resposta quando chegar seja também feita de eternidade. Porque talvez, apenas talvez a dúvida já seja uma resposta do que preciso procurar indefinidamente sem medo do que me espera. E quem sabe dessa forma possamos sorrir milagrosamente.



*

5 de junho de 2009

Suspirar o Ar

Claro este dia simplicidade.
Se te vejo passar por aí como num dia exposto,
vigilante da tua compostura terna a rir
das atrapalhações da vida minha.
Sabe nasci de um mar
e nele fluir as cores daria certo,
rir aos pores de sol enquanto se vai pondo
a luz e a ferida dos amores
que ficaram num oceano de perdas,
mas que voltam sempre a sorrir.
Sem fim nem final nem nada.
Sem seriedade.


*

4 de junho de 2009

Eus


São muitas faces e uma só vida encaixada na minha. Tenho coleções de personalidades, algumas mais agradáveis outras mais chatas e muitas diversas faces que se misturam com outras atribuindo um quê de despersonalização. Fragmentária, livre de não ter um eu definido, presa em outras identidades. Eu que não tenho face. Eu que não sou definível. Eu que posso estar louca, maluca se me derem licença de dizer. Eu que não tenho forma nem cor, que sou abstrata para mim, que tenho medo de ser nas horas de amor. Eu que interrogo tudo e ofereço silêncio em troca de coisa alguma. Eu que sou minha história toda e um pouco da história dos outros. Eu que estou assim prestes a sair de mim e ir para outro olhar, longe de mim. Eu que me encontro ao desencontrar-me. Eu que fujo de mim, eu que vou, eu que fui, eu que sou.


*

2 de junho de 2009

Caminho

E sabe que quero tocar a brisa* gelada desse inverno
que a mim arrepia enquanto caminho...
e viver passo após passo como se fosse cada instante feito de eternidade*.
O passo no compasso da vida que vem enquanto sou,
pois é o caminho que tem a graça* de nos tocar.
E mais o quanto nos deixamos ser tocados
pelo presente* desse instante...



*hoje acordei de mau humor e me falaram qualquer coisa que me tocou tanto que decidi sorrir*.

1 de junho de 2009

Recordações


Recordações,
teus olhos a brilhar sempre rápidos e breves
a fugir como tal vais longe quando chego perto,
uma intensidade de cores e formas e sei lá o que pensar disso,
é quase uma ameaça de presságio, interrogações e alguma vivacidade.
Demasiado tempo perdido, ganho apenas em somar
as tonturas da paixão que lhe tenho.

Ei, importas-me tanto.


*

Perdas


“Vê, meu amor, já estou perdendo a coragem de achar o que quer que eu tiver de achar, estou perdendo a coragem de me entregar ao caminho e já estou nos prometendo que nesse inferno acharei a esperança.”

“Mas é na desilusão que se cumpre a promessa, através da dor é que se cumpre a promessa, e é por isso que antes se precisa passar pelo inferno: até que se vê que há um modo muito mais profundo de amar, e esse modo prescinde do acréscimo da beleza.”

"É que não contei tudo."


*

Luxo

“Como é luxuoso esse silêncio. É acumulado de séculos. É um silêncio de barata que olha. O mundo se olha. Tudo olha para tudo, tudo vive o outro; neste deserto as coisas sabem as coisas. As coisas sabem tanto as coisas que a isto... a isto chamarei de perdão, se eu quiser me salvar no plano humano. É perdão em si. Perdão é um atributo da matéria viva.”


*

28 de maio de 2009

Musique

Pesadelo

Um círculo de gente e nada no lugar, tudo torto e a forma a derreter. Os meus sonhos a derreter a vida a esvair, eu querendo sair de lá e tudo completamente confuso. Um sentido esquisito, não compatível com tudo o resto que desmorona. Eu mais velha, com rugas prestes a morrer com uma sensação de fraqueza, estar morrendo e de repente um desespero crescente. Quero sair e nunca mais voltar. A música toca e alguma esperança de voltar a ser como era antes disso, alguma dança e pouco respeito. Pessoas me olhando feio e eu sendo julgada pelo além, minhas vidas todas na minha frente. O chão que muda a forma e se transforma em seres de outro lugar, deformando toda materia. Um gosto a sangue e muita arte a escorrer a vida num qualquer buraco. Desespero e um fio fininho de esperança. Uma voz a me lembrar de uma qualquer luz em mim por aí, adormecida. Querer agarrar uma idéia de luz e estar por um fio de vida arrebentar uma possibilidade e morrer de medo de voltar a derreter os sonhos, sumir a pequenina luz. Pouca vontade e muito medo. Pouca verdade e muita mentira. Pouco sentido e muita loucura. Sair viva, mas triste do pesadelo. Ir sobrevivendo, uma pequena vitória. Um muro surge para me separar do derretimento e me oferecer alguma proteção entre esse mundo e aquele o outro mundo que mais parecia o umbral. Tomo minha forma atual, lembro do meu nome e meus sonhos permanecem, nunca mais deixo que os toquem dessa forma. Sou de outro lugar alternativo onde tudo corre na mais completa calma e a vida vai fluindo e acho que vou evoluindo, ainda que bem lentamente. A verdade não me interessa tanto quanto o meu chão, caminho em um piso de sonhos bons. Não interessa se é uma ilusão, pois é uma alegria para mim. Pare agora já de derreter. Preciso construir o mundo, devido o terremoto. Depois de um tempo a cidade estará inteira. Tempo de construção, tempo de acreditar, tempo de viver, tempo de sonhar.

24 de maio de 2009

Meia Noite


Meia noite e ainda estou aqui,
parada no tempo que se esvai.
Queria parar o tempo
enquanto descanso do mundo.

E tenho tanta preguiça de viver
quanto qualquer um que sonha
demasiado bem.


*

22 de maio de 2009


Porque será coração?


*

Tempo



Quanto tempo* falta* para acordar* um sol* neste coração* ?


*

21 de maio de 2009

Contraste


Tenho a sensação de ter vivido demasiados enganos
e a impossibilidade de decifrá-los parece que me consome
deixando um vazio que procuro preencher
com o que vou encontrando*...

E a minha vida dentro das outras deixa um rastro de tristeza*...



19 de maio de 2009

Coração


Existe um oceano de perdas e nele uma ilha.

Tal oceano forma um horizonte extenso de amor,
composto por cada um que se fez presente em nós,
mesmo na afirmação de um esquecimento,
existe sempre um mar no nosso coração...

e como se não bastasse somos todo ele
e ainda uma pequena ilha no meio disso tudo...



*

Um Brilho



Dá-lhe esperança para tanto viver...


*