Mudei de endereço,
agora estou aqui:
www.versosdeluz.blogspot.com
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Que cada poeta da vida deixe a poesia viver.













Se a luz chega no quarto de mansinho e os dias parecem intermináveis, viver seria minha única opção cujo sabor desconhecia a pouco mais de um segundo e acabo sempre por perde-lo novamente. Hoje queria lhe falar do riso, desse milagre que tão facilmente toca nas faces dos outros, numa transparência de emoções e sentimentos. Porque um não tem nada de comparável com o outro, emoção é arraso avassalador que o coração, como um tambor bate sem parar, sentimento é mar e nuvem e vento que flui como uma onda de plenitude serena, aquele gesto que toca mansamente e vai nos levando para outros lugares. O riso pode ser de muitos tons, não estou aqui para definir isso, mas para tentar produzir um acontecimento para abrir nossos olhos ao novo, tanto que nos rodeia e que passa tão desapercebido e desperdiçado. Para também abrir os meus olhos cansados. Sabe, queria contar absurdos e saber que são verdades, mas o estranho é não ter nada e ser algo mais do que uma complexidade pelo avesso. O absurdo é o ausente que nos toca e a verdade é essa plenitude que desconheço. Tenho nada e para que ter algo que não me pertença por inteiro, não quero nada, mas queria se não fosse tão jovem a minha vontade. Despedacei os sentires e agora me restei fragmentada de mim, em algum canto por aí, no meio do mundo que não me é, mas pra quê tudo isso se não entendo nada e se também não entendes muito. Se é mesmo a vida para confundir que seja eterna a minha dúvida. E que a resposta quando chegar seja também feita de eternidade. Porque talvez, apenas talvez a dúvida já seja uma resposta do que preciso procurar indefinidamente sem medo do que me espera. E quem sabe dessa forma possamos sorrir milagrosamente.


“Como é luxuoso esse silêncio. É acumulado de séculos. É um silêncio de barata que olha. O mundo se olha. Tudo olha para tudo, tudo vive o outro; neste deserto as coisas sabem as coisas. As coisas sabem tanto as coisas que a isto... a isto chamarei de perdão, se eu quiser me salvar no plano humano. É perdão em si. Perdão é um atributo da matéria viva.”